Os Negros na Revolução Constitucionalista de 1932

Publicado em 9 de julho de 2017


Por Profª Ludmila Pena Fuzzi,

Dentro do cenário já conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932, os negros não aderiram tanto ao movimento, pois muitos eram vanguardistas e operários, classes que davam grande apoio político a Getúlio Vargas, e um dos pontos do movimento era contra este governo.

A Historiografia Brasileira mais antiga não oferece um respaldo acadêmico sobre os movimentos negros pós abolição, o que tem alterado entre os novos pesquisadores. Dentro desta temática proposta temos alguns pontos que demonstram que mesmo que os negros representaram 1/3 dos soldados paulistas, estes foram muito importante dentro do processo. Vamos focar agora nossa atenção para a chamada Legião Negra, fundada por Joaquim Guaraná de Santana.

Como se conhece a participação dos negros na República Brasileira foi uma conquista processual, e no contexto da década de 30 temos a Frente Brasileira Negra. Trata-se de um movimento paulista, que defendiam as coisas dos negros em diferentes temáticas, principalmente as sociais e políticas. Porém, como já explicitado, a maioria dos membros da FBN, eram vanguardistas e operários, dando apoio a Getúlio Vargas. O presidente era um grande defensor dos direitos trabalhistas, sendo autor da CLT, por isso o maior movimento não ofereceu apoio a Joaquim Guaraná de Santana, quando este foi solicitar ajuda.

Joaquim Guaraná de Santana era membro da FBN, porém rompe com esta e funda da Legião Negra, conhecida também como Pérola Negra. Dentro da metodologia de organização de batalhões, os soldados nomeavam seus grupos e a Legião Negra denominou seus grupos com nomes de homens negros e mestiços importantes da História do Brasil, como Zumbi, Antônio Pereira Rebouças e Henrique Dias.

O movimento Legião Negra se tornou um marco de grande importância para uma profunda reflexão dos negros no processo democrático, alguns jornais da época passaram a relatar fatos ligados ao movimento negro dentro da Revolução Constitucionalista de 1932, sendo o nosso foco o jornal A Gazeta, trazendo dois episódios, sendo o primeiro sobre uma reflexão da Legião Negra e o segundo ponto, de uma mulher negra que se vestiu de homem para participar da luta:

“Os patriotas pretos estão se arregimentando – Já seguiram vários batalhões – O entusiasmo na Chácara Carvalho – Exercícios dia e noite – As mulheres de cor dedicam-se à grande causa. […] Também os negros de todos os Estados, que vivem em São Paulo, quando o clarim vibrou chamando para a defesa da causa sagrada os brasileiros dignos, formaram logo na linha de frente das tropas constitucionalistas. A epopéia gloriosa de Henrique Dias vai ser revivida na luta contra a ditadura. Patriotas, fortes e confiantes na grandeza do ideal por que se batem São Paulo e Mato Grosso, os negros, sob a direção do Dr. Joaquim Guaraná Sant´Anna, tenente Arlindo, do Corpo de Bombeiro, tenente Ivo e outros, uniram-se, formando batalhões que, adestrados no manejo das armas e na disciplina vão levar, nas trincheiras extremas, desprendidos e leais, a sua bravura, conscientes de que se batem pela grandeza do Brasil que seus irmãos de raça, Rebouças, Patrocínio, Gama e outros muitos tanto dignificaram. Os nossos irmãos de cor, cujos ancestrais ajudaram a formar este Brasil grandioso, entrelaçando os pavilhões auri-verde e Paulista, garbosos, ao som dos hinos e marchas militares, seguem cheios de fé, ao nosso lado, ao lado de todos os brasileiros que levantaram alto a bandeira do ideal da constitucionalização, para a cruzada cívica, sagrada, da união de todos os Estados sob o lábaro sacrossanto da pátria estremecida. ( Jornal A Gazeta, 23 de Julho de 1932 – Os Homens de Cor e a Causa Sagrada do Brasil)”

Para terminar nossa reflexão sobre a participação do negro da revolução, não podemos deixar de explicitar que existem poucas obras sobre isso, considerando apenas a chamada A Legião Negra, a luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932, de Oswaldo Faustino. Em depoimentos, muitas comunidades reclamam da falta de material da participação dos negros em muitos fatos históricos.

Legião Negra